Ler por aí
 
06 de Janeiro de 2014



Começo por dizer que adorei o livro. Estou fascinada com os contornos deste mundo criado por Murakami. Nem a lentidão com que tudo se passa, nem as voltas e reviravoltas para chegar ao mesmo sítio (por onde já tinhamos passado) consegue diminuir o meu entusiasmo.
Se eram necessários 3 livros para contar esta história? Tendo em conta os 2 primeiros, provavelmente não. Murakami conta as mesmas coisas várias vezes, de pontos de vista ligeiramente diferentes, faz descrições pormenorizadas (faz às vezes com a descrição do Ramalhete quase perca o lugar cimeiro das descrições memoráveis), que se enrolam umas nas outras, mas antes de darmos por isso estamos tão enredados naquela história e naquele mundo que vamos espreitar à janela quase à espera de ver duas luas. 
Por isso as palavras a mais nesta história, não estão a mais, não me chateiam em nada. Apesar de ansiar pelos desenvolvimentos aproveito cada frase.
Há poucos personagens novos neste segundo volume (Ushikawa e o Líder são os principais) mas muitas novidades, para mim bastante surpreendentes. Continuamos a conhecer a história do ponto de vista de Tengo e Aomame. Algumas das perguntas que ficaram por responder no primeiro volume têm agora uma resposta - que nem sempre é aquela de que estávamos à espera e que não está, de todo, completa. Fuka-Eri continua a ser uma menina estranha mas muitas das suas reações são explicadas neste livro. Conhecemos finalmente a história do livro Crisálida de ar; sabemos mais acerca do povo pequeno. E conhecemos finalmente o Lider daquela estranha seita e percebemos que nem tudo é o que parece (será a realidade apenas uma, como tantas vezes é referido ao longo deste livro? Ou estarei a ser enganada e manipulada pela mestria do contador de histórias?)
Há duas coisas que me fascinam neste livro. Uma é a elaborada construção dos personagens e outra é o mundo de 1Q84. Devagarinho, quase sem notar, passamos para este mundo tão igual e tão diferente do de 1984. 

Estou ansiosa por começar o terceiro volume.
publicado por Patrícia às 13:22 link do post
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