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Ler por aí

Ler por aí

1984 - George Orwell

Começar a ler um livro com expectativas altas não costuma ser um bom presságio para a leitura. Não foi o caso. Adorei este livro e a pergunta que me faço é “porque demorei tanto tempo a pegar-lhe?”.
É-me difícil acreditar que este livro foi escrito em 1948. É que continuaria a ser um grande livro se tivesse sido escrito hoje. Mas a verdade é que foi escrito há quase 70 anos e continua hoje a ser um livro fantástico.
 
Vejo os clássicos como obras primas da literatura. São-no porque são literariamente especiais, fazem um retrato de época mas geralmente respeitam uma série de regras que só fazem ser sentido porque foram escritos em determinada altura. Nada disto se passa com o 1984. Este livro não precisa de qualquer enquadramento para ser lido e apreciado. Não faz um retrato de uma época, em vez disso apresenta-nos uma sociedade alternativa e é brilhante. Atualmente estão na moda as distopias (lembro-me por exemplo dos “Jogos da fome” e de“Divergente”). Sinceramente não acredito que estes livros existissem sequer se o 1984 não tivesse sido escrito. Acredito que este livro mudou o mundo. E a verdade é que não mudou apenas o mundo de quem gosta de ler. Para o melhor e para o pior trouxe-nos o conceito de Big Brother, de total ausência de privacidade. Seria de pensar que quem lê o livro ficaria com asco ao BB. No entanto alguém que efetivamente leu o livro (ou terá apenas ouvido falar da história?) lembrou-se que seria interessante espetar com 12 pessoas em algo parecido a esta sociedade. Enfim…
Poderia contar-vos a história. Seria tão fácil fazê-lo mas isso iria, a quem ainda não leu este livro, estragar a leitura. Para quem já leu o livro: é ótimo não é? Dá arrepios, não vos parece? A lógica subjacente a toda a sociedade é tão simples que quase dá para acreditar que iria funcionar. Quase…

Não posso deixar de realçar a linguagem que o autor inventou para este livro. Horrível a ideia de limitar a liberdade limitando a capacidade de exprimir ideias por inexistência de vocabulário. E no entanto, cada vez menos utilizamos a fabulosa língua que temos, limitando-nos a nós próprios exatamente da mesma forma.

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