Ler por aí
 
11 de Junho de 2013

Começar a ler um livro com expectativas altas não costuma ser um bom presságio para a leitura. Não foi o caso. Adorei este livro e a pergunta que me faço é “porque demorei tanto tempo a pegar-lhe?”.
É-me difícil acreditar que este livro foi escrito em 1948. É que continuaria a ser um grande livro se tivesse sido escrito hoje. Mas a verdade é que foi escrito há quase 70 anos e continua hoje a ser um livro fantástico.
 
Vejo os clássicos como obras primas da literatura. São-no porque são literariamente especiais, fazem um retrato de época mas geralmente respeitam uma série de regras que só fazem ser sentido porque foram escritos em determinada altura. Nada disto se passa com o 1984. Este livro não precisa de qualquer enquadramento para ser lido e apreciado. Não faz um retrato de uma época, em vez disso apresenta-nos uma sociedade alternativa e é brilhante. Atualmente estão na moda as distopias (lembro-me por exemplo dos “Jogos da fome” e de“Divergente”). Sinceramente não acredito que estes livros existissem sequer se o 1984 não tivesse sido escrito. Acredito que este livro mudou o mundo. E a verdade é que não mudou apenas o mundo de quem gosta de ler. Para o melhor e para o pior trouxe-nos o conceito de Big Brother, de total ausência de privacidade. Seria de pensar que quem lê o livro ficaria com asco ao BB. No entanto alguém que efetivamente leu o livro (ou terá apenas ouvido falar da história?) lembrou-se que seria interessante espetar com 12 pessoas em algo parecido a esta sociedade. Enfim…
Poderia contar-vos a história. Seria tão fácil fazê-lo mas isso iria, a quem ainda não leu este livro, estragar a leitura. Para quem já leu o livro: é ótimo não é? Dá arrepios, não vos parece? A lógica subjacente a toda a sociedade é tão simples que quase dá para acreditar que iria funcionar. Quase…

Não posso deixar de realçar a linguagem que o autor inventou para este livro. Horrível a ideia de limitar a liberdade limitando a capacidade de exprimir ideias por inexistência de vocabulário. E no entanto, cada vez menos utilizamos a fabulosa língua que temos, limitando-nos a nós próprios exatamente da mesma forma.

publicado por Patrícia às 15:31 link do post
Essa sociedade funciona e nós vivemos nela, talvez não nos moldes em que foi descrita mas em muitos aspectos penso que sim. Temos em casa um aparelho que nos controla, o face pergunta em que estamos a pensar e nós digitamos para lá as coisas mais intimas da nossa vida sem fazer ideia de como isso é escrutinado (opções de privacidade é areia para os olhos...). O pessoal abdica voluntariamente da sua privacidade...A desumanização e os valores trocados: confere (aquela da guerra ser a paz, faz-me lembrar aquela história dos drones...); alterar a própria História, não acontece aqui mas acontece em alguns países and so on...É de se ficar arrepiado. Recomendo o fahrenheit 451, tb é uma distopia.

cumps
Sara a 11 de Junho de 2013 às 16:15
É um dos meus livros preferidos de sempre. Adoro o George Orwell. Fico contente que tenhas gostado :)
Ah, e reforço a sugestão da Sara em relação ao Fahrenheit 451.
Célia a 11 de Junho de 2013 às 16:35
É verdade Sara, diferença é que temos a liberdade de desligar o aparelho, não responder ao fb (eu nunca respondo) e pensar. E ler. E ser. Por isso nunca vamos abdicar voluntariamente da nossa privacidade. pelo menos muitos de nós.
E é verdade, há n países onde a sociedade é tão parecida com a que existe no livro.
Obrigada pela sugestão. Vou guardá-la bem. Mas acho que prefiro deixar passar algum tempo e amadurecer este 1984 antes de entrar noutra distopia.
Patrícia a 11 de Junho de 2013 às 22:18
Célia, muito, muito obrigada. Se peguei neste livro foi graças a ti, que muitas vezes "votaste" nele. Várias vezes as nossas conversas foram parar a este livro até que tive vergonha e peguei nele para o ler.
Estás sempre à vontade para fazer sugestões, sim?
:)
Patrícia a 11 de Junho de 2013 às 22:19
O problema é que não seguir o rebanho tem as suas consequências, pois a sociedade exerce uma pressão incrível...Para exercer essa liberdade temos de pagar um preço maior ou menor conforme os casos. O Fahrenheit 451 também é um pouco forte, especialmente para quem gosta de livros.

cumps
Sara a 12 de Junho de 2013 às 01:12
Já que andas numa onda Orwelliana, que tal leres o "Homenagem à Catalunha"?

Eu acho que, mais do que o Facebook (que não tenho, graças a mim!), o que me inquieta é a intromissão constante da vida privada e o dizerem-me o que fazer. Mas isso, infelizmente, é o que fazem todos os meios de comunicação social. Hoje, quase não podes ligar a TV que és logo bombardeada com alguma coisa que te inquieta e te destrói (e, às vezes, nem sequer é verdade! É só mera propaganda!). Para além disso, és aconselhada a "seguir a manada" porque se o não fizeres´tornas-te num ser anti-social. E tu só queres ser um indivíduo!
UmaMaria a 12 de Junho de 2013 às 10:46
E o filme a preto e branco é tão asfixiante como o livro.
Fuschia a 18 de Junho de 2013 às 20:21
Mais à frente falaremos deste livro, que conto ler agora nas férias....
nuno chaves a 23 de Junho de 2013 às 03:22
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