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Lobo Solitário, de Jodi Picoult

por Patrícia, em 23.02.17

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Há alturas em que a leitura se arrasta, em que a concentração não nos permite ler nada de muito exigente e que só nos apetece pegar num livro daqueles para ler de uma ponta à outra sem pensar muito no que se está a fazer. Os livros da Jodi Picoult são assim. Sempre com um tema central mais ou menos polémico. E na verdade não sou fã da escritora. Gostei do No Seu Mundo, que se debruça sobre o síndrome de asperger mas foi penoso acabar de ler os restantes livros da escritora que me passaram pelas mãos.  Ainda assim, e porque os livros têm razões que a razão desconhece, resolvi pegar neste "Lobo Solitário". Tenho que confessar que foi a leitura certa nesta altura (e que mais se pode pedir de um livro, não é?). 

Luke, apaixonado por lobos, tem um acidente e os filhos, Edward e Cara têm que tomar a decisão mais complicada das suas vidas: desligar ou não as máquinas que lhe permitem estar vivo. Edward, mais velho e distante do pai, Cara, a companheira de todas as horas de Luke. Esgrimam-se argumentos, as emoções trocam as voltas à razão e Jodi Picoult torna-nos fácil a decisão. Este é talvez a pior parte deste livro: em vez de fazer pensar, reflectir sobre algo tão sério e difícil  como é a eutanásia, faz com que essa decisão seja, para nós leitores, ridiculamente fácil. E mesmo quando é (e eu acredito que às vezes é) a escolha certa nunca, nunca é fácil. Uma vez mais, o tema certo, o desenvolvimento errado.

E para que a trama se adense, os personagens vêem-se envolvidos em situações absurdas com soluções ridículas (a sério aquelas acusações ali no meio eram absolutamente dispensáveis).

Ainda assim, gostei do livro. 

Gostei do livro porque alguns capítulos são sobre os lobos. A história de Luke que vai viver com os lobos durante dois anos fez com que as horas passadas a ler este livro valessem a pena. 

 

 

 

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O Evangelho segundo Lázaro.jpg

 

Voltar a contar uma história que já é amplamente conhecida acarreta riscos. Quando essa história envolve religião, o risco é ainda maior. Contar a Paixão de Cristo pelos olhos de Lázaro é de uma enorme coragem. 

Para apreciar este livro são, na minha opinião, necessárias várias coisas: algum conhecimento das escrituras, interesse pela religão e mente aberta. Não vale a pena pegarem neste livro se não tiverem estas três características. 

Mas se tiverem... vão encontrar muitas personagens que já conhecem e que ao mesmo tempo são novas para vocês, Lázarus, Marta, Mia, Yeshua (Jesus), Maria e muitos novos personagens que saem do anonimato para ocupar lugares de destaque nesta história. Talvez tenham algumas surpresas (confesso que não me surpreendi muito ao longo destas páginas) e certamente irão ter sempre a sensação de estar a olhar para uma imagem que já conhecem mas que é, ao mesmo tempo, totalmente nova.

Apesar das diferenças óbvias entre a Paixão de Cristo segundo Zimler e a que conhecemos dos evangelhos este não é um livro que pretenda apenas provocar. Sim, é um livro que pretende fazer-nos questionar, que nos pretente fazer pensar. Mas é, acima de tudo, um livro que nos pretende fazer sonhar, imaginar.

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Nem tenho como vos contar como foi a semana que passou. Mas a minha vida regeu-se pela Lei de Murphy: tudo o que podia acontecer, aconteceu. Talvez esteja a exagerar ligeiramente porque felizmente não houve danos permanentes. Mas a verdade é que não foi uma semana fácil. Uma das vítimas da Murphy foi o meu ereader maravilhoso. Já tinha uns anos e não sobreviveu a uma queda. (a primeira vez que caiu ao chão partiu-se - Murphy's law). O drama, o Horror, a tragédia. A situação está resolvida, já tenho um novo eReader (o meu marido acha mais fácil aturar-me com eReader do que sem ele) mas a verdade é que, enquanto leitora, já não me é fácil viver sem eReader. Gosto da portabilidade da coisa, gosto de ler confortavelmente quando acordo ao sábado de manhã e o meu marido e o gato continuam a dormir, gosto de ler sem óculos, gosto da sensação de ir para outro país e ter dezenas de livros comigo, gosto de comprar livros a um preço (ligeiramente) mais reduzido, gosto do acesso directo a dicionários. Gosto de ler em formato electrónico. 

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"Seis números encontravam-se colados ao dado e dali não saiam. E não havia um sétimo algarismo, uma sétima hipótese. O limite era seis.

Era essa exactidão que o excitava, essa exactidão bem definida por limites inalteráveis que no entanto guardava ainda um espaço para as suas decisões estranhas , que na verdade não eram decisões. (...) A grande decisão que existia no jogo, era afinal essa decisão profunda e forte que é decidir que se aceita, decidir que se está pronto para a submissão absoluta, para a não interferência no desenrolar dos acontecimentos"

Joseph Walser é um homem que vive à margem da sua própria realidade. De forma absolutamente voluntária escolhe ser um espectador e não um protagonista da vida. Para além dos jogos semanais de dados, "funde-se" com uma máquina mantendo com ela uma relação simbiótica, de subserviência, quase de amizade e tem uma peculiar colecção que guarda no quarto do filho que nunca teve.

Gonçalo M. Tavares é um dos escritores que considero mais desafiantes. Gosto da sua escrita, gosto da sua forma de falar de uma coisa enquanto fala de outra, gosto do domínio que tem da língua, da literatura e gosto acima de tudo do facto que ser um escritor que não poupa o leitor, que não escreve (só) para os leitores. Gosto das constantes reflexões que o autor nos propõe a cada passo.

Falta-me muito para compreender na totalidade os livros deste escritor mas facilmente lhe reconheço o génio. 

Parece-me que a natureza humana, o bem e o mal, principalmente o mal, estão sempre presentes nos seus livros. 

A relação do Homem com a Máquina é, de facto, um tema central neste livro mas é a relação do Homem com o Homem que me  despertou mais a atenção. Joseph Walser busca a solidão e total autonomia em relação aos outros. 

"Não tinha sequer uma pistola, mas eliminara a grande fraqueza da existência, fizera desaparecer a primária fragilidade da espécie: não possuía qualquer inclinação para o amor ou para a amizade!"

"E Walser não pôde deixar naquele momento de ser capturado por um orgulho: ele, sim, era um grande Homem, como defendia Klober, que conseguia estar separado de todos os outros, um homem verdadeiramente sozinho e individual."

Este foi um livro que não "digeri" nem fácil, nem rapidamente. Aliás, já o li há algumas semanas mas volta e meia volta-me à mente e obriga-me a reflectir. E esse é um dos principais objectivos da literatura, não é? Obrigar-nos a reflectir, pensar. Incomodar-nos. 

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Quando é que a discussão de um determinado livro ser ou não adequado para constar no PNL do 3º ciclo passou para o ataque a um escritor ou a quem acha que o livro não é adequado aos miúdos?

 

(só para que conste: li os filhos da droga aos 12, não tenho moral para falar do que é adequado ou não para determinada e já deixei a minha opinião sobre o que os miúdos devem ou não ler neste post. Para além disso só tenho a dizer que tenho pena do prof que analise este texto do vhm numa sala de aula com adolescentes mas que tiro o chapéu ao que o conseguir fazer sem perder o controlo da turba. Além disso gostava de chamar a atenção para a possibilidade dos miúdos lerem livros fora da escola. Para muitos pais isto parece ser estranho mas há imensas leituras que podem e devem ser feitas fora da escola, que não são adequadas à sala de aula mas que devem ser lidos e discutidos em casa. Mesmo sem ter lido o livro atrevo-me a dizer que o livro "o nosso reino" do Valter Hugo Mãe é um destes casos. Aproveitem ser um "livro proibido", coisa que o tornará muito mais atraente aos olhos da miudagem para darem literatura de qualidade aos vossos pimpolhos.)

 

 

 

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Já sabem que sou fã de ouvir podcasts quando ando de carro. Ora, quando ando de avião gosto, sobretudo, de ler. Sou o género de pessoa extremamente insociável que aproveita aquelas horas para ler e para dormir. Geralmente, adormeço ainda no taxiway e acordo quando servem a refeição. É depois disso a fase mais calma da viagem e que me permite ler bastante. Desta vez preparei para a viagem um audiobook. Passo a explicar. No início de 2016 o programa (também disponível em podcast) Livro do Dia da TSF foi dedicado ao livro "O Torcicologologista, Excelência" de Gonçalo M. Tavares. Ao longo de alguns meses ouvi, a cada dia, um bocadinho deste livro nas maravilhosos vozes do Carlos Vaz Marques e do Gonçalo Waddington. Agora decidi re-ouvir este livro. Tudo de seguida, como quem lê (também tenho o livro, pelo que dá para ler e ouvir) e garanto-vos que esta é, na minha opinião, a maneira certa de ler este livro. 

Este é, muito à custa deste podcast, o meu livro favorito do escritor. Acho que ajuda ouvir (tantas vezes mais do que uma vez) aos poucos, pela voz de outros (quem já teve que ler em voz alta uma parte de um livro para a apreender completamente que levante a mão) estas crónicas non-sense mas que fazem todo o sentido.

É provável que me achem estranha  (aliás, todas as pessoas a quem eu, entusiasticamente, mostrei alguns destes programas, olharam-me com aquele ar de pena "agora passou-se de vez") mas a verdade é que estranhamente vejo-me a concordar e a seguir o fio condutor daquela coisa estranha chamada "O Torcicologologista, Excelência".

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uma questão retórica

por Patrícia, em 20.01.17

Como é que há tantas novidades a metade do preço à venda na candonga?

Não preciso que respondam mas gostava mesmo que pensassem nisso... e nas consequências disso.

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Curtas 2017 #2 - um leitor é...

por Patrícia, em 18.01.17

Ando a ler, às prestações e à velocidade de lesma, o "A máquina de Joseph Walser". A culpa não é do livro (que é muito bom) mas da minha falta de tempo/disponibilidade mental. Há livros que precisam ser livros em silêncio, há livros que precisam ser lidos à velocidade de lesma, mesmo. E eu cada vez mais gosto desses livros.

Confesso que nem sei porque tenho esta pancada com os livros do Gonçalo M. Tavares mas a verdade é que se há autor de que quero ler tudo é este. Tenho ando a pensar a pensar nisso (e à custa da falta de tempo para ler, a ouvir entrevistas ou debates com o autor) e acho que cheguei a algumas conclusões.

Os livros do GMT desafiam-me. Chego sempre ao final com a sensação de que deixei passar qualquer coisa (ou muito, vá) mas que ainda assim gostei.

Gosto imenso da forma que ele escreve. E hoje percebi porquê ao ouvir uma escritora a falar sobre a escrita dele. O GMT não escreve "bonito", por qualquer motivo não precisa. Ela disse qualquer coisa deste género e eu pensei "epá, é isso mesmo".

Lamento, eu não sou leitora de poesia (falta-me esse gene, lamento), não tenho paciência para citações, marcações e afins (mas adoro post-its, ok?), não tenho pachorra para escritas lirícas, nem poesia em prosa, nem nada desse género. 

Às vezes sabe bem ler coisas bonitas, claro. Mas eu gosto é de duas coisas: de uma história bem contada ou de um livro que me faça pensar e crescer. E que me desafie. 

 

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TAG em português significa etiqueta, algo que é usado para identificar ou marcar algo.

Na blogosfera esta palavra atingiu um estatuto ligeiramente diferente e basicamente indica uma corrente de perguntas, sujeitas a determinado tema, ordem e acima de tudo com determinada origem.

Ora é esta origem que dá, tantas vezes, confusão e que me faz fugir das TAG a 7 pés.

Na blogosfera é um insulto da pior espécie fazer algo que outra pessoa já fez sem indicar o blog/canal de origem, quem traduziu e quem nos indicou para ser mais um elo desta corrente (só um parêntesis para dizer que o aportuguesamento do verbo To Tag é coisa para me deixar à beira de uma apoplexia).

Não falo de plágio, de citar sem indicar a fonte, isso é no máximo crime e no mínimo indicador de má fé.

Falo, claro, dos créditos. E se faz todo o sentido dar os créditos a quem teve o trabalho/imaginação/criatividade, a verdade é que isto às vezes toma proporções bíblicas com discussões absolutamente ridículas do género: “em mil novecentos e carqueja tive uma ideia muito parecida com essa e ptto a patente é minha”, com insultos, zangas e lágrimas à mistura.

Ora, como eu tenho muita pouca paciência para esse tipo de merdice (desculpem a expressão) prefiro não entrar neste género de briga e por isso raramente respondo a esse tipo de corrente e quando o faço é porque vi o original e gostei, faço-lhe referência e já está. E claro, se cito alguém, indico a fonte.

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Das conversas sobre livros

por Patrícia, em 09.01.17

Confesso que tenho sempre que me disciplinar e lembrar que as pessoas normais não são tão aficionadas por livros como eu, que é como quem diz, tenho que fazer algum esforço por não ser a "maluquinha dos livros". Por isso é maravilhosos quando, num daqueles jantares de amigos dás por ti a encontrar alguém que gosta tanto de falar de livros como tu e passam horas a falar de livros, autores, sugestões de leitura. 

A parte boa é que te sentes muito mais "normal", a má é que a lista de livros obrigatórios subitamente tem mais meia dúzia de títulos. 

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